Belo Horizonte teve um domingo especial para os amantes do rock. A capital mineira recebeu no último dia 17 as bandas Stone Temple Pilots e Bush, na última etapa da Revolución Tour por terras brasileiras.
O domingo, que foi premiado com muita água dos céus, viu um KM de Vantagens Hall cheio, com duas das bandas que marcaram o rock nos anos 90 e que são donas de alguns hits que embalaram gerações ao longo dos anos. Após São Paulo e Rio de Janeiro, era a hora de Belo Horizonte ver o que elas tinham para oferecer já que, além dos hits clássicos, cada uma tinha suas particularidades para mostrar em seus shows.
No entanto, antes dos nomes internacionais tomarem o palco, a noite começou com a banda República, que vem ganhando espaço no cenário nacional nos últimos anos.
A banda lançou recentemente um registro ao vivo gravado na última edição do Rock In Rio e, na Revolución Tour, mostrou muitas faixas de seu trabalho mais recente, Brutal & Beautiful, de 2017. Com um setlist curto, mas interessante, a banda conseguiu conquistar o público presente com o seu som mais próximo do heavy-metal do que do grunge característico das atrações principais da noite.

Como uma boa banda britânica, o Bush subiu ao palco pouco depois das 20h e, desde os primeiros acordes de “Machinehead”, era possível se ter uma ideia do que o quarteto conseguiria provocar no público, que foi crescendo ao longo da apresentação, muito disso por conta da chuva que insistia em cair naquela noite.
Se do lado de fora do KM de Vantagens Hall o tempo não era bom, dentro da casa ele não poderia ficar melhor. Muito disso se deve ao carisma de Gavin Rossdale que só não fez chover lá dentro porque, felizmente, isso fugiria um pouco das suas habilidades. O músico jogou guitarra no chão, subiu nos amplificadores, fez o público cantar junto em faixas como “The Sound of Winter”, “Swallowed” e “This Is War”.
O grande momento da noite acabou sendo em “Little Things”. Não tanto pela música, mas por Gavin ter se jogado no meio do público e andando pelas arquibancadas, descido para a pista comum e, depois, pulando a grade para a pista premium, deixando o público simplesmente em êxtase. Rossdale ainda foi em direção ao espaço destinado aos portadores de necessidades especiais e cantou os trechos finais da música junto com um fã cadeirante. Um momento único!
A banda ainda teve tempo para tocar uma versão especial de “Come Together” e fechar a apresentação com as clássicas “Glycerine” e “Comedown”, mostrando que o Bush ainda consegue gerar bons momentos para os seus fãs, sobretudo em cima do palco.

Com um público já empolgado, a missão do Stone Temple Pilots parecia complicada naquela altura. A banda, que se apresentou antes do Bush nas duas datas anteriores no Brasil, agora tinha que superar um show tão bom quanto o anterior. No entanto, logo nos primeiros acordes, o público percebeu que a banda capitaneada pelos irmãos Robert (baixo) e Dean DeLeo (guitarra) não teria muitos problemas para manter a energia do KM de Vantagens Hall.
Naquela noite, o público mineiro estava sendo oficialmente apresentado ao novo vocalista da banda, Jeff Gutt. No entanto, o Stone Temple Pilots ainda é facilmente associado à sua antiga voz, do saudoso Scott Weiland, e acaba sendo inevitável lembrar dele, principalmente naqueles hits clássicos.
Revelado pelo The X-Factor, Jeff já mostrou em “Wicked Garden” que, além de um excelente vocalista, era quase que uma nova versão do Weiland. “Crackerman” e “Vasoline” vieram na sequência e, enquanto parte do público se ‘embasbacava’ com Gutt, o Stone Temple Pilots como um todo se mostrava incrivelmente competente no palco como em seus tempos áureos. Talvez com uma guitarra bem mais alta que os demais instrumentos, mas quem liga para isso, não é mesmo?
É inegável dizer que a banda vive um grande momento e parece ter encontrado o seu vocalista ideal após as mortes de Weiland (2015) e Chester Bennington (2017). Bem a vontade no palco, o quarteto foi enfileirando boas músicas como “Silvergun Superman” e “Big Bang Baby”. A sequência com “Creep” e “Plush” serviu para arrebatar os últimos resistentes a nova formação e mostrar que a banda tem ainda muito o que mostrar, comprovando que os elogios ao seu mais recente álbum, lançado no ano passado, não são por acaso.
Autointitulado, o registro teve duas músicas tocadas durante o show, as interessantes “Meadow” e “Roll Me Under”. Na segunda, Jeff resolveu repetir o gesto feito por Gavin Rossdale e se jogar no público, atravessando toda a pista premium e chegando na divisa com a pista comum. “Interstate Love Song”, “Trippin’ on a Hole in a Paper Heart” e “Sex Type Thing” ainda foram cantadas a plenos pulmões pelo público que, definitivamente, ficaria ali por horas se assim pudesse.

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